segunda-feira, 11 de abril de 2011

O CONSOLO VEM DO SENHOR


“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação” 2 Co 1.3.




A humanidade tem sofrido constantemente ataques de homens maus, que vem ferindo cidadãos de bem. O Massacre ocorrido em uma escola no bairro de Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, foi a principal notícia da ultima semana em todas as mídias. O que podemos dizer aos pais dessas crianças com o propósito de confortá-los? E aos pais das duas adolescentes que foram covardemente assassinadas na cidade de Cunha – SP? O que falar? Há conforto para eles?

Os atos desses assassinos sem escrúpulos nos deixam perplexos. Esses acontecimentos expõem a simples realidade da nossa sociedade cruel onde, segundo Thomas Hobbes "Homo homini lupus", o homem é o lobo do homem, e também, "Bellum omnium contra omnes", é a guerra de todos contra todos.
Diante desses acontecimentos ficamos assustados! Tais fatos nos fazem  lembrar as palavras de Jesus Cristo ao afirmar: “no mundo, passais por aflições” Jo 16.33. Enquanto encontramos em nossa sociedade falsos mestres, falsos profetas e falsos apóstolos, prometendo uma prosperidade momentânea e baseada em um materialismo fútil, o Senhor da Igreja nos alerta sobre a realidade: “haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das cousas que sobrevirão ao mundo...” Lc 21.26
Podemos afirmar que vivemos em tempos difíceis, mas não estamos desamparados. Ao nos refugiarmos em Deus, estamos buscando socorro eterno, e não algo passageiro como o que é prometido por alguns falsos pregadores. Possuímos um Senhor que conhece os nossos sentimentos e fraquezas: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer de nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado” Hb 4.15. Logo, o Senhor Jesus  sabe o quão difícil é enfrentar uma realidade como a que temos enfrentado.
Cristo nos mostra que passamos por aflições, mas nos conforta com a promessa de paz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. Jo 16.33. Em tempos difíceis devemos confiar naquele que nos dá a vitória eterna.
O que podemos dizer a esses pais, que estão sofrendo nesse momento de imensa dor, pela perda de seus filhos amados, é que busquem verdadeiramente ao “...Deus de toda consolação!” 2 Co 1.3. Se nesses momentos vocês tem padecido pelos atos maus de homens sem escrúpulos, busquem a paz daquele que pode todas as coisas.
A minha oração em favor de vocês é essa: “A nossa esperança a respeito de vós está firme, sabendo que, como sois participantes dos sofrimentos, assim o sereis da consolação” 2 Co 1.7.
Que o nosso Senhor e consolador vos abençoe.

Rev. João Marcus Cabral

sábado, 26 de março de 2011

NÃO DEVEMOS TEMER

“Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus”. Salmo 20.7.



Algumas pessoas vivem oprimidas por uma religião do medo. Temem maldições, mal olhado, mandinga, maledicências (fofocas) e etc. Mas, será correto uma pessoa que crê no Senhor da Igreja ter medo dessas coisas?
Quando estudamos a Palavra de Deus aprendemos que não existe outro Deus. O nosso Senhor é único e pode todas as coisas. Aprendemos também que a Sua Palavra tem poder, e que tudo se formou através dela.
E a nossa palavra? Tem poder? Não somos deuses! A nossa palavra não tem poder! Somos seres limitados e pecadores, a nossa palavra não passa de mera especulação e não pode ser considerada como verdade.
As maldições, mal olhado, mandinga e maledicências não devem nos causar medo. Enquanto aqueles que não conhecem o Nosso Deus confiam em suas próprias palavras, nós nos alegramos em nosso Senhor que já nos deu a vitória. Não devemos temer o mal! “...maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” 1Jo 4.4.
Confie no Senhor e se glorie na vitória de Nosso Deus. E Ele lhe abençoará.

Rev. João Marcus Cabral

sexta-feira, 4 de março de 2011

O AMOR AO MUNDO E O AMOR AO PAI SÃO DUAS COISAS INCOMPATÍVEIS

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro” (Mt 6.41).


Andrew Kevin Walker certa vez afirmou que “Quando você dança com o diabo, você não muda o diabo, o diabo muda você”. A convivência com a prática do pecado gera a morte e cremos que fomos chamados pelo Nosso Senhor para a vida. Logo, não podemos amar e nem praticar as obras que geram morte. Mas, como devemos fugir do pecado?
Nós cristãos já fomos libertados, pelo Senhor Jesus Cristo, da escravidão do pecado. O apóstolo Paulo em sua carta aos romanos escreveu que: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” .Rm 8.1. Porem, como podemos afirmar que estamos livres no Senhor se praticarmos obras de condenados? Como servir ao Senhor e dançar com o diabo ao mesmo tempo? Será que podemos servir ao Senhor com fidelidade sem deixar de amar o mundo? Que mal há em conviver com o pecado freqüentando bailes pagãos e pulando carnaval?
Encontramos as respostas para tais questões na Palavra de Deus. O apóstolo Tiago nos diz: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” Tg 4.7.
Primeiramente devemos nos sujeitar a Deus. Quando buscamos ao Senhor com fidelidade, dando ouvidos aos seus mandamentos, Ele nos abençoa. Lembre-se das palavras do salmista: “Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” Sl 84.10. Devemos ter prazer em permanecer na casa do Senhor!
Em segundo lugar devemos resistir ao diabo. Não podemos ficar convivendo com a prática do pecado! O pecado não agrada a Deus e logo não é para nós. Se deixarmos de servir a Deus estamos debaixo da tutela de outro “senhor”. O prazer nas coisas dessa presente era não nos trará a verdadeira satisfação: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” 1Jo 2.15-17.
Deixe as obras desse mundo maligno de lado e demonstre o verdadeiro amor ao Senhor e ele lhe abençoará!
                         
 Rev. João Marcus Cabral

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NÃO GUARDE O QUE É LIXO



Recentemente, vi em um tele jornal a matéria sobre uma senhora que gostava de guardar lixo em sua casa. Os vizinhos começaram a reclamar porque aquela imundícia os incomodava por diversos fatores.
Uma das conseqüências graves era o mau cheiro. As pessoas que viviam próximas da casa daquela mulher relataram que o odor putrefato do lixo atrapalhava as suas famílias, pois nem mesmo se reuniam para as refeições.
Outra conseqüência em decorrência dos dejetos eram as visitas indesejadas. Começaram a surgir moscas, ratos, baratas, o tão temido aedes aegypti e outros animais que proliferam doenças.
Não podemos nos esquecer dos cães e gatos que além de pulgas, carrapatos e fezes, trazem consigo a poluição sonora em sua “disputa cotidiana por território”. Em conseqüência disso, onde havia paz e silêncio, tornou-se um campo de batalhas e de imenso barulho.
Será que você tem agido como esta senhora? Quando você acumula pecados a sua vida se torna como uma casa cheia de lixo, fica podre e começa a incomodar os que estão a sua volta, o pecado trás doenças para a alma e, conseqüentemente, para o corpo. O pecado transforma paz em conflito, mentiras em “verdades”, amizades em inimizades e amor em ódio.
Procure lavar-se do pecado, como nos instrui a Palavra de Deus: Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o malIsaías 1.16.
Se você vive na pratica do pecado arrependa-se e tenha a sua vida como uma casa limpa e bem organizada, que está edificada sobre a Rocha que é Jesus Cristo. Assim quando vier a tempestade nada irá abalar a sua vida. Que Deus lhe abençoe.

Rev. João Marcus Cabral

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

QUAL É A TUA MOTIVAÇÃO?




“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Cl 3.17.
Quando portugueses e espanhóis descobriam e começavam explorar o chamado “Novo Mundo”, a Europa sofria um forte choque cultural em decorrência da Reforma Protestante e da Contra-Reforma. É bom destacarmos que Portugal e Espanha eram países extremamente católicos. Logo, além da exploração colonial as “grandes navegações” foram justificadas pela propagação da fé católica.
A catequização dos nativos latinos americanos foi na verdade um processo de aculturação dos povos ameríndios. Como os indígenas não se adaptaram a escravidão os colonos foram buscar escravos na África, que além de sofrerem com o trabalho escravo e castigos físicos, deveriam assimilar aspectos culturais dos colonos, inclusive religiosos.
Para os portugueses a catequização foi uma desculpa para exploração colonial. Para ameríndios e africanos, a principio, a religião dos europeus era algo estranho, mas com o passar do tempo se tornou alvo da fé e esperança de libertação.
Não podemos pregar o Evangelho com a motivação errada. Anunciamos a Verdade para que Deus seja glorificado. Quando a nossa motivação é vaidade, financeira ou qualquer atitude que não seja a glória do nosso Senhor, tal pratica se torna pecaminosa.
Não cometa os mesmos erros que cometeram as missões no Brasil colonial. Deixe os falsos interesses de lado e pregue a Palavra de Deus, para que mais pessoas o conheçam e busquem a sua verdade. Se assim procedermos, o Nosso Senhor será glorificado. Que Deus nos abençõe.                                             
Rev. João Marcus

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

FORÇA NAS TRIBULAÇÕES

“Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”. 2 Co 12.10


Enfrentamos, constantemente, todos os tipos de dificuldades. Ao passarmos por tribulações o desânimo é eminente. Será que você nunca deixou de lado um sonho ou seu objetivo por desânimo? Alguns desistem de seu curso na faculdade, do trabalho e até da própria vida! Na Igreja não é diferente. Não é raro vermos cristãos desistindo do convívio com os irmãos diante do primeiro obstáculo.
É no momento de fraquezas que devemos ser fortes! Um exemplo de perseverança, que nos enche de esperança, é o do cego de Jericó, que clamava por Jesus, quanto mais a multidão o tentava impedi-lo, de chegar a Cristo, mais ele clamava e apesar das suas limitações, ele não desistiu.
Uma mensagem que nos conforta está na carta de Jesus enviada a Igreja na Filadélfia, "... tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome" (Ap 3.8). Mesmo diante da perseguição e de uma cidade entregue ao paganismo, nossos fracos irmãos se tornaram fortes no Senhor. O apóstolo Paulo possuía essa certeza e nos ensina que: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte" (2 Co 12.10), e ainda "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13).
Quando vem uma grande tempestade, com fortes ventos, capaz de varrer tudo que estiver em sua frente, o melhor a fazer é buscar um abrigo próprio. Nossa vida é assim! quando fortes ventos de tribulação nos açoitam, devemos nos refugiar no Abrigo que dá forças para vencermos. Lembremos das palavras do poeta:
“Rochedo forte é o Senhor,
Refúgio na tribulação!
Constante e firme amparador,
Refúgio na tribulação!

Oh! Cristo é nosso abrigo no temporal,
Na tentação, em todo o mal!
Sim, Cristo é nosso abrigo
No temporal,refúgio na tribulação!”[1]
Não desanime! Os obstáculos da vida não devem te vencer, mas fortalecer a tua fé. Busque o auxílio de quem você pode confiar: "Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos" (Pv 16.3). Que Deus lhe abençõe.


Rev. João Marcus Cabral


[1] J. G. Rocha. “Abrigo no Temporal”,  in: Hinário Novo Cântico. Hino 137.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O SENHOR É O MEU PASTOR


              
          Muitos cristãos decoram trechos da Bíblia. Talvez o texto mais conhecido é o Salmo 23. Gostaria de convidar você, meu querido leitor, para juntos analisarmos a mensagem de Deus através deste Salmo.
           Neste Salmo Davi demonstra ao seu povo como confiar no Senhor. A confiança de Davi não foi vã. Podemos notar isso na sua história, ele foi um rei vitorioso porque o Senhor lhe deu vitória por onde quer que ele fosse (2 Sm 8.14). como rei vitorioso, ele foi um bom pastor para o povo de Deus. Davi, como governador, é descrito como tendo feito o que era justo e direito para todo o seu povo. Ele conhecia a vontade revelada de Deus, dada através de Moisés e os profetas Samuel, Gade e Natã. Ele reinou de acordo com a vontade de Deus. Provou que amava a lei de Deus (Sl 19.7-11). E aplicou a lei; ao fazer isso, seu reinado foi apropriadamente citado como justo (2 Sm 8.15). O povo foi abençoado, pois tinha um rei que vivia e reinava em comunhão com Deus e submisso à sua vontade. Não podemos nos esquecer que Davi pecou mas, Deus revelou que a sua graça era abundante. Davi foi perdoado; ele foi abençoado e regozijou-se no amor infalível do Senhor (Sl 32.1, 2, 10, 11).
A própria história de Davi reforçava a mensagem do salmo 23, para o povo hebreu.  Davi, como mediador pactual real, deveria confiar em Deus, e transmitir essa confiança através de seus salmos. Essa breve recapitulação da vida de Davi nos ajuda a compreender melhor o texto.
Essa importância é um reflexo por Davi ser um mediador pactual real, que recebeu a garantia da continuidade da dinastia, não era um marido e pai obediente. Ele não cumpriu a vontade de Deus com respeito à educação de seus filhos (Gn 18.19, 20; Dt 6.4-9; Sl 78.1-8). Assim como Samuel havia falhado, Davi também falhou.
Mas, os propósitos de Yahweh não seriam frustrados. Davi falhou; a semente de Davi cometeu adultério assim como Davi havia cometido, e a semente derramou sangue de seus irmãos. Satanás tirou vantagem de cada oportunidade, mas Yahweh prevaleceu. Seus propósitos continuaram firmes. Vemos na vida de Davi e na vida do povo da aliança os cuidados de Yahweh.
O termo Yahweh não deveria ser traduzido para o português. O termo “Senhor” não expressa bem o significado de Yahweh no salmo 23. Yahweh nos mostra Deus como uma Pessoa, e assim o leva a ter relação com outras personalidades humanas. Esse nome traz Deus bem perto do homem, pois Ele se refere aos patriarcas como um amigo se refere a outro. Peter C. Craigie nos mostra que nos “quatro primeiros versos contém a extensa metáfora: Deus é o Pastor[1]”. O ponto principal dessa metáfora é expresso na relação da proteção e provisão de Yahweh para Davi e seu povo.
Deus, o nosso pai, cuida de cada um de nós como se fossemos o único que Ele teria para cuidar; Ele cuida “pessoalmente” de nós. As nossas orações são o testemunho desta certeza. O Deus que preservou a vida de Elias, enviando os corvos para lhe levarem alimento (1 Rs 17.1-6), é o mesmo que é nosso Pai onisciente e providente. Portanto, podemos fazer eco ao testemunho de fé e vida de Davi: “O senhor, tenho-o sempre à minha presença; estando Ele a minha direita não serei abalado” (Sl 16.8).
          Davi, que excedia tanto em poder quanto em riquezas, não obstante confessa francamente não passar de uma pobre ovelha, com intuito de fazer de Deus o seu pastor. 
No salmo 23 o salmista mostra o cuidado de Yahweh pelo seu povo. Além da metáfora do pastor, Davi mostra que Yahweh cuida amorosamente de seu povo, através das metáforas Ele me fará Repousar..., me levará..., ele me refrigerará... e Ele me guiará. Notemos que nos versos 2 e 3 o salmista demonstra que Yahweh dá o melhor  para o seu povo.
Sob a similitude de um pastor, ele enaltece o cuidado com que Deus, em sua providência, havia exercido para com ele. Sua linguagem implica que Deus não tinha menos cuidado para com ele do que um pastor tinha para com as ovelhas que eram postas em sua responsabilidade.
Um pastor humano pode, de quando em quando, mostrar-se descuidado ou ineficiente, mas isso não ocorre com Yahweh. Deus na Escritura, freqüentemente toma sobre si o nome e assume o caráter de um pastor, e isso de forma alguma é o emblema de um frágil amor por nós. Derek Kidner salienta que “o pastor, ao contrário, vive com seu rebanho, sendo tudo para ele: guia, médico e protetor[2]”.
         Apos Davi afirmar que Yahweh o pastoreia, demonstrando o seu cuidado, Davi afirma: “de nada sentirei falta”. Esta frase demonstra a confiança na providência de Deus. Ele relata quão ricamente Deus o proverá em todas as suas necessidades, e faz isso sem apartar-se da comparação que empregara no início.
 Em tudo vemos o cuidado e a providência de Deus para o povo da Aliança. E aqui não é diferente. Deus pastoreia o seu rebanho através da Sua divina providência.
Outro aspecto importante do texto está no verso 3 “por amor do seu nome”. Esta sentença demonstra que tudo que Deus faz por nós Ele o faz por amor ao seu nome, para cumprir a Sua Palavra. Esta verdade é confirmada no Salmo 89.34 “Não violarei a minha aliança, nem modificarei o que os meus lábios proferiam”. Yahweh nos sustenta e nos guia cumprindo assim a Sua Aliança. Deus é fiel em cumprir a aliança que fizera com o seu povo. “Achei Davi meu servo; com o meu santo óleo o ungi.... a minha aliança com ele será firme e conservarei para sempre a sua descendência e o seu trono, como os dias do céu” ( Sl 89. 20-29, 34-37; II Sm 7.8-16; Is 9.7).
Com Davi Yahweh institucionalizou a monarquia na Aliança, e a respectiva dinastia. Com Davi completou-se e se consolidou a posse de Canaã pelo povo da Aliança. Ao morrer Davi não lembra suas vitórias, seu prestigio, sua riqueza, a herança que deixa: ele lembra as promessas de Yahweh e o esplendor que está para vir. Promessas essas cumpridas “por amor do seu nome”.
          Outra questão muito importante está no verso quatro, o “vale da sombra da morte”. Usa-se figuradamente a palavra “vale” para designar um obstáculo que tem de ser transposto (Is 40.4) e um sério perigo que alguém pode experimentar (Sl 23.4). Alguns estudiosos defendem que os vales que são citados no verso quatro eram vales escuros, as montanhas não deixavam que a luz do sol iluminasse o vale, este vale se tornava perigoso e era necessário que o pastor acompanhasse de perto o seu rebanho para livra-lo do perigo escondido na escuridão. “Sombra” - Em hebraico essa é a palavra mais forte para trevas. Uma vez que o ser humano utiliza as trevas como recurso para realizar seus feitos lastimáveis, o terror associado às trevas espessas se torna sua experiência matutina (Jó 24.16). Não existe, porém, lugar suficientemente escuro que possa ocultá-lo dos olhos de Deus (Jó 34.22). Ademais, as trevas profundas jamais ameaçam a Deus; elas não o aterrorizam. Não importa quão escuro seja um lugar, pois Deus conduzirá o seu povo por esse lugar de modo que este povo não temerá mal algum e será confortado pela vara e o cajado de Deus.
         Os verdadeiros crentes, ainda que habitem seguros sob a proteção de Deus, estão, não obstante, expostos a muitos perigos, ou, melhor, são passiveis de todo gênero de aflições que sobrevêm à humanidade em comum, para que eles possam melhor sentir o quanto necessitam da proteção divina.
João Calvino, em seu livro “A Verdadeira Vida Cristã”, afirma que “se considerarmos a enorme quantidade de acidentes aos quais estamos sujeitos, veremos o quão necessário é exercitarmos nossa mente desta maneira. Enfermidades de todos os tipos tocam nossos débeis corpos, uma atrás da outra: ou a pestilência nos enclausura, ou os desastres da guerra nos atormentam. Em outra ocasião, as geadas e os granizos destroem nossas colheitas, e ainda somos ameaçados pela escassez e a pobreza, em vista destes acontecimentos, as pessoas maldizem suas vidas, e até o dia em que nasceram; culpam o sol e às estrelas, e ainda censuram e blasfemam a Deus, como se Ele fora cruel e injusto[3]”. Em meio às dificuldades da vida só em Yahweh encontraremos confiança.
          Somente Yahweh pode guiar o homem através da morte. Davi ora e declara que enquanto estiver exposto a algum perigo, contará com suficiente defesa e proteção, estando sob o cuidado pastoral de Deus. 
          O que vemos no verso cinco é que há neste mundo, inimigos ao redor do povo da aliança, tanto humanos como demoníacos, mas Yahweh supre todas as nossas necessidades “bem na presença de nossos adversários”.   A mesa representa um costume da época, a celebração da vitória, e esta seria perante os seus inimigos. O salmista mais uma vez declara a sua confiança em Yahweh. Quanto ao óleo era usado nas mais magnificentes festas, e ninguém imaginava ter honrosamente recebido seus convidados se não os perfumasse imediatamente. Mas tanto o óleo como o transbordar do cálice, devem ser explicados como que denotando a abundância que vai além do suprimento das necessidades da vida.
          O sexto e ultimo verso do salmo 23, nos mostra a visão escatológica de Davi. Uma visão de confiança.   A misericórdia de Yahweh esta diretamente relacionada com a fidelidade e as obrigações da aliança explícitas ou implícitas. De fato, há um relacionamento presente (o amor quase torna necessária a relação sujeito-objeto), mas a misericórdia é gratuitamente concedida. A casa de Yahweh era a mais importante em Israel, naturalmente, era a casa do Senhor, primeiramente mencionada na literatura extra bíblica na óstraca de Arade. Pelo fato de o Senhor estar singularmente presente aqui, o salmista celebrava Sião e ansiava para aparecer diante dele em adoração. Neste texto ela representa a casa de Yahweh, não tem outro sentido.
         Davi demonstra confiança na aliança de Yahweh, crendo que as promessas de Yahweh são eternas. Sobre esta certeza Boanerges Ribeiro escreve que Davi “morreu sem queixas, abraçado à promessa divina de que um rei de sua linhagem viria realizar todas as promessas da Aliança do Senhor[4]”. Esse salmo nos ensina a confiar eternamente no cuidado de Deus pelo Seu povo.
            O Salmo 23 nos conforta em tempos de crise. Devemos confiar em Deus, tendo em nossas mentes que Ele é o nosso Pastor. Que você, caro leitor, possa confiar em Deus como o Rei Davi confiou, e que Deus lhe abençoe.

Pastor João Marcus Cabral

[1] Peter C. Craigie, Word Biblical, Word Books, Texas, 1983. pg . 205.
[2] Derek Kidner, Salmos 1-72 Introdução e Comentário, Vida Nova, São Paulo, 1992. pg . 128.
[3] João Calvino, A Verdadeira Vida Cristã, Novo Século, São Paulo, 2000.
[4] Boanerges Ribeiro, Aliança da Graça, Associação Evangélica Reformada Presbiteriana, São Paulo, 2001. pg 81.